Toda a nossa vida é feita de escolhas.

São as nossas escolhas que determinam o nosso rumo, o nosso caminho, a nossa forma de estar e a nossa forma de sentir.

Mas o importante não é apenas escolher, mas escolher com consciência.

É a consciência face às nossas escolhas, o motivo ou propósito que nos levou por determinado caminho, que nos faz viver as situações de forma plena, pois a nossa mente foi programada nesse sentido.

E isto leva-me a contar a história das minhas férias de verão de 2019!

As férias são, para a maioria de nós, um dos momentos mais aguardados do ano. É nas férias que nos sentimos livres, tranquilos, sem horários nem obrigações, vamos para locais que ansiamos conhecer ou onde reencontramos os que levamos no coração e onde podemos passar momentos especiais, que enchem a nossa memória ao longo do ano.

Mas por vezes nem tudo corre como esperado…

Este ano, estava tudo programado para partir em família para um local que queríamos muito conhecer, com praias extensas de areia branca e fina e águas cristalinas e quentes.

E que ansiedade maravilhosa se sentem nos dias que antecedem o início das férias!

A nossa mente já nos transporta pontualmente para o destino e sonhamos com aquilo que vamos encontrar, com o que vamos vivenciar, com o que vamos fazer, como vamos ficar surpreendidos…

E de repente o tão aguardado dia chega!

Malas feitas, o caminho até ao aeroporto é a única distância que ainda nos separa do sonho, que andámos a alimentar nos últimos dias, e a espectativa aumenta.

Chegando a este ponto de partida e de início da aventura, o aeroporto, sentimos que é agora que se inicia o prologo desta obra prima, que tanto esperámos por começar a escrever…, mas por vezes a tinta da caneta estoura e começa a espalhar tinta por toda a folha!!!

Sabem quando cai tinta de uma caneta numa folha de papel e inicialmente é apenas um pequeno ponto, que de repente se espalha numa enorme mancha circular que nos faz acreditar que essa folha ficará inutilizada? Pois, por vezes a vida dá-nos essa sensação, quando as coisas começam a fugir do nosso controlo e não correm como mentalmente as planeámos!

E aqui começa a “verdadeira aventura”!

Já na porta de embarque, amavelmente deixámos passar uma família constituída por um casal, duas adolescentes e um rapaz mais novo que deveria ter cerca de 7/8 anos.

Quando fazem a verificação dos seus documentos, a funcionária da companhia apercebe-se que o menino não é filho do casal, e como tal seria necessária uma autorização escrita dos seus pais ou tutores para sair do país, documento esse que não existia!

Esse grupo foi convidado a aguardar e o embarque dos restantes passageiros continuou.

Primeiro contratempo da operação viagem aparentemente ultrapassado. Mas não…

Chegamos ao avião, encontramos os nossos lugares e iniciamos os procedimentos de segurança como colocação de cintos e afins.

E agora sim, a aventura está prestes a começar, quando passados alguns minutos ouvimos o comandante a informar que devido a uma situação em terra (que já imaginamos qual seja!) perdemos o horário para descolar e só deveremos ter nova oportunidade em cerca de 1 hora e 30 minutos.

Poderia ser apenas uma daquelas situações aborrecidas, em que demoramos mais a chegar ao destino e torna-se cansativo ficar à espera dentro do avião, com crianças a chorar e adultos inquietos, mas mais uma vez não…

O grande problema é que a primeira paragem que faríamos não era o destino final e teríamos cerca de 50 minutos entre a aterragem e o embarque para o novo voo e obviamente que 1 hora e 30 minutos ultrapassava em larga escala o tempo previsto para este procedimento.

Automaticamente chamámos o comissário de bordo e explicámos a situação. O mesmo indicou que a companhia daria lugares no voo imediatamente a seguir que tivesse essa disponibilidade, o que nesta altura do ano é uma situação um pouco vaga!

Entretanto, o comandante volta a comunicar com os passageiros a informar que tínhamos nova oportunidade para descolar em cerca de 25 minutos, ou seja, nem tudo estava perdido. Chegaríamos muito perto da hora de embarque, mas ainda conseguiríamos apanhar o voo que nos levaria ao tão aguardado destino.

Como realmente o tempo entre voos seria curto, decidimos falar novamente com o comissário de bordo para saber se poderíamos passar para uns lugares mais perto da porta (já tínhamos verificado que esses lugares existiam, talvez fossem da família que ficou em terra!) e assim encurtar o tempo de saída do avião. O comissário indicou-nos que perto do momento da aterragem nos transferiria para esse local, o que nos deixou muito mais descansados.

Chegando perto desse momento, voltámos a relembrar o então prometido, mas desta vez foi-nos dito que já não seria possível, mas que como o voo tinha demorado menos uns minutos que o previsto com certeza conseguiríamos realizar o embarque.

Entretanto o comandante começa a avisar os passageiros que estávamos a chegar e quais as portas de embarque para cerca de 6 outros destinos (incluindo o nosso) e é nesta altura que nos apercebemos que a maioria dos passageiros têm outros voos e que quase todos nós estamos no limite para conseguirmos embarcar e instala-se a confusão!

Ninguém pensa em procedimentos de segurança, os comissários nada conseguem fazer e, mesmo com o avião ainda em andamento na pista, só se vêm malas a saírem dos compartimentos e pessoas no corredor a comprimirem-se ao máximo para chegarem um pouco mais próximo da porta. Enfim!

Para quem conhece o aeroporto de Madrid sabe que não é propriamente pequeno… aliás é o 6º maior da Europa.

Ao desembarcarmos, perguntamos logo onde fica a porta que nos foi indicada pelo comandante e indicam-nos que não é muito longe, o que nos alivia, mas não nos permite ir de forma tranquila, visto que teríamos cerca de 5 minutos até ao fecho do embarque.

Ao chegarmos à referida porta, e depois de uma boa corrida, a primeira coisa que reparamos é que não se encontra ninguém nesse local. Ao chegarmos mais perto verificamos que o destino aí indicado nada tem a ver com o nosso! Novo pânico…

Olhamos em volta e encontramos um dos visores informativos e é aí que constatamos que a nossa porta de embarque afinal é quase na ponta oposta do local onde nos encontramos!!!

E pronto, é assim que iniciamos a nossa maratona, qual Forrest Gump no meio do Aeroporto de Barajas, com os milhares de passageiros que por aí passam todos os dias a servir de barreiras desta corrida fenomenal.

Depois de muito suor, lágrimas e minutos passados, chegámos ao novo ponto estipulado, onde encontrámos uma funcionária extremamente simpática (nota: leiam isto com o máximo de ironia que conseguirem!) que, perante o nosso desespero, em nada nos ajudou!

Passados alguns momentos de confusão, com a sensação de que o esforço físico tinha sido em vão, percebemos que também esse voo, apesar de indicar que o embarque estava fechado, tinha sofrido um atraso, o que nos dava uma nova luz para chegarmos ao destino, não como o previsto, mas pelo menos no dia estipulado.

Entretanto outros passageiros, nossos “colegas” na aventura anterior, chegaram ao local com a mesma confusão estampada no rosto, situação que ajudámos a desfazer, não fossem eles só terem de contar com a tão simpática funcionária…

Bem, e depois de tudo isto pelo menos a porta ficava junto a um café onde pudemos comer qualquer coisa e recuperar as calorias, entretanto gastas.

E finalmente chega a hora do embarque. O que poderia correr mal agora?

Pois é… podia!

Chegamos ao ansiado destino, sol, calor, sentimento de alívio, alegria e ansiedade para iniciar a aventura. Vamos recolher as malas e… não temos malas…

Pois podia!!!

Vamos ao guiché, apresentar a nossa reclamação e saber do paradeiro das malas, e informam-nos que uma delas já encontraram, mas a outra ainda não sabem do seu paradeiro e nem sequer conseguem confirmar-nos qual é que tinham encontrado, por isso o que, quase garantidamente, chegaria no final do dia seguinte, é uma incógnita para nós!

Ufa… está difícil!

Acrescentando a todas estas peripécias, o carro que alugámos em nada é semelhante ao que estava indicado no momento do aluguer, mas anda e para nós nesse momento isso já é uma vitória, e o alojamento não é exatamente como imaginámos, mas também contamos passar lá pouco tempo!

Vamos comprar todos os básicos que achamos essenciais e decidimos começar a nossa aventura em grande, talvez não em grande estilo, mas com uma imensa vontade.

Sim, e aqui reside o nosso poder de escolha, a nossa vontade de viver esta aventura ninguém nos podia tirar, podiam colocar-nos uma imensidão de obstáculos e contratempos, mas a escolha de como iríamos lidar com eles era nossa. E nós escolhemos olhar para eles apenas como parte desta magnifica aventura e como uma história que ficaria para contar.

E não é que se tornou mesmo numa bela história?

Por isso, faça as suas escolhas com consciência e ponderação e não deixe que os obstáculos e as vicissitudes o façam desperdiçar a sua maior aventura, que é viver!

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